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Sintomas da menopausa: quais são e como tratar?

Foto do escritor: Dr. Gabriel Magalhães
Dr. Gabriel Magalhães
há 9 minutos
5 min de leitura
Os sintomas da menopausa nem sempre são conhecidos pelas mulheres

Você acorda de madrugada com o pijama encharcado de suor e, minutos depois, sente frio. No dia seguinte, chora sem motivo ou perde a paciência com qualquer coisa. E para piorar, sua menstruação resolveu brincar de roleta russa com você.


Se isso soa familiar e você está na faixa dos 40 ou 50 anos, a pergunta que fica é: estou ficando louca ou isso é sintoma da menopausa?


Nessa faixa de idade, o corpo atravessa uma transição hormonal real, com efeitos sobre o sono, o humor e a temperatura corporal. Neste artigo, eu vou te explicar quais são os principais sintomas da menopausa, por quanto tempo costumam durar e o que a ciência recomenda para tratá-los.


O que é a menopausa, afinal?

A menopausa é o momento em que a menstruação para definitivamente, resultado da queda natural na produção dos hormônios estrogênio e progesterona pelos ovários. O diagnóstico só é confirmado depois de 12 meses seguidos sem menstruar.


No Brasil, ela ocorre em média aos 48 anos. Antes disso, a mulher passa pela perimenopausa, fase que pode começar quase uma década antes e em que boa parte dos sintomas já aparece.


Um dos primeiros sinais costuma ser justamente a mudança no padrão menstrual: ciclos mais curtos, mais longos ou com fluxo diferente do habitual. Quando os sintomas aparecem antes dos 40 anos, chamamos de menopausa precoce, e o acompanhamento médico deve começar mais cedo.


A menopausa é um processo natural. Mas isso não significa que os sintomas precisam ser suportados sem tratamento.


Quais são os principais sintomas da menopausa?

Os sintomas variam de mulher para mulher, mas os mais relatados envolvem calor súbito, alterações do sono, mudanças de humor e ressecamento vaginal. Eles aparecem porque o estrogênio influencia diretamente a regulação da temperatura corporal, os neurotransmissores ligados ao humor e a lubrificação dos tecidos genitais.


Sintomas físicos mais comuns

Os fogachos são o sintoma mais característico: ondas súbitas de calor, geralmente no rosto, pescoço e peito, seguidas de sudorese e, às vezes, palpitações. Costumam piorar à noite e atrapalhar o sono.


Além deles, são comuns:


  • Ganho de peso, com a mesma dieta;

  • Maior acúmulo de gordura abdominal;

  • Dores e rigidez articular e muscular;

  • Perda de massa muscular e queda na libido;

  • Pele mais seca e cabelo mais fino e quebradiço;

  • Fadiga;

  • Baixa libido.


Sintomas emocionais e cognitivos

A queda de estrogênio também afeta neurotransmissores ligados ao humor, como a serotonina. Isso explica por que muitas mulheres relatam irritabilidade, ansiedade ou tristeza sem uma causa externa clara nesse período, além de dificuldade de concentração e episódios de esquecimento.


A chamada névoa mental é um dos sintomas que mais assusta, porque parece diferente de tudo o que você já sentiu antes. É aquela sensação de esquecer o nome de alguém que você conhece há anos, perder o fio da conversa no meio de uma reunião ou demorar mais para organizar um raciocínio simples.


Sintomas urogenitais

A falta de estrogênio deixa o tecido vaginal mais fino e menos lubrificado, o que pode causar desconforto na relação sexual e maior propensão a infecções urinárias.


Pode ocorrer:

  • Ressecamento vaginal e dor durante o sexo;

  • Maior frequência urinária e episódios de incontinência.


Quanto tempo duram os sintomas da menopausa?

A perimenopausa, fase de transição, dura em média quatro anos, mas pode estender-se por uma década. Os fogachos, especificamente, podem persistir por anos após a última menstruação em parte das mulheres.


Não existe um prazo único e correto. A duração depende de fatores individuais, como genética, estilo de vida e se houve ou não intervenção médica precoce. Sintomas que se estendem por mais tempo que o esperado não são, por si só, motivo de alarme.


A queda hormonal aumenta o risco de doenças?

Sim, alguns riscos para a saúde aumentam depois da menopausa, principalmente ligados aos ossos, ao metabolismo e ao coração:


  • Maior risco de osteoporose, pela perda acelerada de densidade óssea;

  • Maior risco cardiovascular: estudos mostram que a rigidez das artérias aumenta de forma significativa já no primeiro ano após a última menstruação;

  • Maior risco de diabetes e de obesidade.


Há também uma linha de pesquisa sobre memória e demência que vem ganhando força. Um estudo com cerca de 1.300 mulheres latino-americanas na pós-menopausa, apresentado pela The Menopause Society, associou fogachos intensos, sono ruim e alterações de humor a maior comprometimento cognitivo.


Lesões na substância branca do cérebro, mais comuns em quem teve menopausa precoce ou fogachos frequentes, também aparecem ligadas a maior risco de AVC e demência em revisões da mesma entidade.


É por isso que o acompanhamento médico regular ganha importância nessa fase: não serve só para tratar sintomas incômodos, mas para monitorar esses riscos a tempo de agir.


Quais são os tratamentos para os sintomas da menopausa?


Existem diferentes tratamentos para os sintomas da menopausa que devem ser prescritos e acompanhados pelo médico.

O tratamento certo depende do tipo e da intensidade dos sintomas, do seu histórico de saúde e dos seus objetivos. De forma geral, as opções se dividem entre reposição hormonal e alternativas não hormonais.


Reposição hormonal

Em fevereiro de 2026, a FDA (agência regulatória dos Estados Unidos) removeu o alerta mais grave, conhecido como "tarja preta", das bulas de terapias hormonais para menopausa. A mudança veio depois de uma revisão da literatura científica mostrar que iniciar o tratamento dentro de dez anos do começo da menopausa, geralmente antes dos 60 anos, reduz a mortalidade geral.


Mesmo assim, apenas uma fração das mulheres com sintomas da menopausa recebe terapia hormonal no Brasil, muitas vezes por receio de riscos, como o de câncer, que hoje estão sendo reavaliados pela ciência.


Isso não quer dizer que a reposição sirva para todo mundo. A decisão leva em conta o histórico pessoal e familiar de cada paciente e, segundo a própria FDA, deve ser sempre construída junto com quem acompanha o seu tratamento, de forma individualizada, nunca escolhida por conta própria.


Tratamentos não hormonais

Nem toda mulher pode ou quer fazer reposição hormonal, e isso também tem solução. A FDA, por exemplo, já aprovou um antidepressivo em dose específica (paroxetina) só para tratar fogachos, sem efeito hormonal.


Outras estratégias com respaldo científico incluem exercício físico regular, higiene do sono, técnicas de relaxamento, terapia cognitivo-comportamental e lubrificantes vaginais. A escolha entre essas opções depende do seu quadro clínico. Por isso, a indicação é sempre individualizada, feita em consulta.


Não enfrente isso sozinha

Se os sintomas estão pesando mais do que deveriam no seu dia a dia, o próximo passo é conversar com seu médico, para montar um plano feito para o seu momento de vida, não um protocolo genérico.


Agende uma consulta e vamos definir juntos o melhor caminho para você.


Um abraço, 

Dr. Gabriel Magalhães

Médico CRM RJ-1040731 SP-219487

Especialista em Medicina da Família RQE 134280


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